O Banco Rendimento confirmou ter sido alvo de um ataque hacker na manhã de terça-feira (21), em um incidente que afetou canais de atendimento e contas de clientes.
Em comunicado, a instituição afirmou que os serviços já foram normalizados e que o caso foi informado às autoridades competentes. Durante o incidente, clientes relataram instabilidade no acesso aos serviços digitais. Mensagens exibidas nos canais oficiais indicavam ‘instabilidade técnica temporária’ e informavam que equipes trabalhavam para restabelecer a operação.
O Banco Rendimento atua principalmente nas áreas de câmbio, crédito e transferências internacionais, sendo um dos principais operadores de remessas de recursos do exterior para o Brasil.
O episódio também ocorre em meio a uma sequência de incidentes de segurança no sistema financeiro brasileiro. Em março, o BTG Pactual registrou um ataque com desvio de cerca de R$ 100 milhões e chegou a suspender operações via Pix. Já o Banco do Nordeste sofreu uma tentativa de invasão em janeiro, que levou à interrupção temporária de transações. Nesse sentido, o ataque recente reacende o ataque recente reacende o alerta sobre a vulnerabilidade do sistema financeiro brasileiro em meio à crescente digitalização das transações.
“Casos como o do Banco Rendimento raramente são apenas falhas pontuais. Eles costumam expor fragilidades estruturais na gestão de riscos cibernéticos, especialmente em processos, integrações e controles de acesso”, afirma Marcelo Branquinho, CEO da TI Safe, empresa especializada em cibersegurança de sistemas críticos.
Há ainda indícios de que o ataque esteja ligado a falhas em mecanismos de autenticação, uma das vulnerabilidades mais exploradas por criminosos digitais. “Quando isso acontece, o acesso indevido às contas se torna muito mais fácil. Esse tipo de fraude era mais comum no passado, mas muitas instituições não atualizaram seus sistemas na velocidade necessária”, diz Marco Zanini, CEO da Dinamo Networks, empresa de segurança digital.
Regulação avança, mas implementação ainda é desigual
Diante da escalada dos ataques, o Banco Central do Brasil tem reforçado as exigências de segurança, com medidas como testes de intrusão, autenticação multifator e regras mais rígidas para proteção de dados e transações.
“As regras do Banco Central atacam diretamente os principais problemas, como a custódia segura de chaves e autenticação forte. O desafio é que nem todas as instituições implementaram esses controles na velocidade necessária’, diz Zanini.
Por isso, existe a necessidade de adaptação contínua “especialmente na segurança da cadeia de fornecedores e na resposta coordenada a incidentes”, destaca Branquinho.
Apesar da frequência dos episódios, especialistas descartam, por ora, um risco sistêmico imediato. O sistema financeiro brasileiro, embora mais exposto, ainda é considerado robusto. “O maior risco não é apenas técnico, mas reputacional. A percepção de insegurança pode afetar a confiança no sistema financeiro, que é um dos seus principais ativos”, afirma Branquinho.
Para Zanini, o momento é de transição. “Não vejo esses episódios como risco sistêmico, mas como uma adaptação. As fraudes migraram do mundo físico para o digital e o sistema está se ajustando a esse novo cenário.”
A tendência, segundo especialistas, é de mudança de postura das instituições, que passam a tratar a cibersegurança não mais como custo operacional, mas como parte central do negócio.
Fonte: Veja
